A Visão de uma Praça



A estátua está lá
braços abertos
olha a todos os que passam
Mas a ninguém ela abraça

Pousam-lhe aves
jogam-lhe lixo os que passam
Ela rígida como é
ignora o que lhe façam

A estátua está lá
palhaço faz show na praça
quem assiste até gargalha
ela nem mesmo acha graça

Ladrão assalta na praça
do outro lado da rua
assalto reflete na vidraça
Ela, indiferente à essa desgraça

A estátua está lá
rígida, indiferente
braços abertos e nada abraça
passam pessoas, o tempo, ela não passa.

 

 

 


Indagações Sobre a Morte


I

Todos se vão
quando menos se espera
Todos voltarão
ao mesmo local que veio, a terra
Todos estão
na mesma fila de espera
Por isso irmão...
Reza, não se desespera.


II

Chorar não adianta, irmão
A morte é mesmo assim
Rouba-lhe um ente hoje
Amanhã de mim

Desesperar não adianta, irmão
A vida é sempre assim
Uma eterna roleta-russa
De in(esperado) fim.

 

 

Fotografia retirada do site:

http://clavedelua2.blogspot.com/2007/08/velrios-on-line.html

 

 

 

Tempo, o Senhor do Tempo


Mas que trama
esse tempo tece
que passa-se
tanto tempo
e, ele não envelhece?

 

 

 

Estátua


Corpo duro e imóvel
olhar sem direção
Não é triste nem alegre
não lhe bate o coração
Não esboça um sorriso
nunca sente uma paixão
Está nos jardins, nas praças
quase sempre em solidão
Talhada da pedra bruta
por quem teve inspiração.

 

 


Hai-kai

    Chuva invernal
O batuque das goteiras
   lembra carnaval.
 
 
 

Sina


Como se eu trouxesse uma sina
que as vezes me magoa

Como se eu trouxesse um som
que hora ou outra assim se entoa

Querendo disfarçar a mágoa
querendo cantar à toa

Nem sempre anima
nem sempre perdoa

E por mais que o poema brilhe
dificilmente o poeta ecoa.
 

 
Fotografia - Gato do Mato
Autor: Bhall Marcos
 

Malogro

Eu feito
eu
com defeito
Eu feito
eu
imperfeito
Eu feito
eu
malfeito


Meu eu
insatisfeito
feito um jogo
desfeito
.
 
 
Título - O Lord
Técnica - Crayon
Autor - Bhall Marcos
 
 
Hai-kai

    Hai-kai

 

Manhã sem vento
Dorme em seu mastro
  o cata-ventos.

DUETO
 
 
 
 
Um verso pulou de mim
em direção aos seus olhos
Calado...Vôou,  vôou
e no seu coração parou
 
Era um verso vagabundo
Sem muita inspiração
Não se importou com o mundo
Mas tinha um gosto profundo
Mendigar sua atenção...
 
Um verso silencioso
Sem voz, sem eco, sem cor
Um verso até ocioso
porém sedento de amor
 
O verso a mim retornou
e nele luziu seu olhar
Com alarde aproximou-se
querendo algo falar
 
Era, um verso radiante
coberto de inspiração
O mundo tornou-se importante
ao verso, agora gestante
d'um amor, d'uma canção
 
Um verso comunicativo
com voz, com eco, com cor
Um verso de amor ativo
a ofertar-me uma flor.
 
 
 
Charlyane Mirielle/Bhall Marcos
 
 
 
 
 

Diversão


Felizes
os ponteiros
do relógio
brincam
de pega-pega
o dia inteiro
e de hora em hora
se encontram
e se beijam
.

 

 

 

O fruto do Furto


É sempre nessa lua o mesmo brilho
É sempre nessa orquestra o mesmo som
É sempre nessa mãe o mesmo filho
É sempre nesse artista o mesmo dom

É sempre nessa cor a mesma tinta
É sempre nessa fala a mesma voz
É sempre nessa moça a mesma pinta
É sempre nessa corda os mesmos nós

É sempre nessa noite a mesma lua
É sempre nessa chuva a mesma enchente
É sempre nessa estrada a mesma rua
É sempre nessa fronte a mesma frente

É sempre nesse arbusto o mesmo fruto
É sempre nessa prenhe o mesmo enjôo
É sempre nesse morto o mesmo luto
É sempre nessa ave o mesmo vôo

É sempre nesse filme o mesmo ator
É sempre nesse verso a mesma rima
É sempre nessa chaga a mesma dor
É sempre nesse frio o mesmo clima

É sempre nessa massa o mesmo pão
É sempre nessa alma o mesmo corpo
É sempre nesse solo o mesmo chão
É sempre nessa esquife o mesmo morto

É sempre nessa falta a mesma ausência
É sempre nessa foto a mesma imagem
É sempre nesse odor a mesma essência
É sempre nesse campo a mesma aragem

É sempre nesse fogo o mesmo quente
É sempre nessa mão os mesmos dedos
É sempre nessa urbe a mesma gente
É sempre nesse assombro o mesmo medo

É sempre nesse preto o mesmo escuro
É sempre nesse "yes" o mesmo sim
É sempre nesse marco o mesmo muro
É sempre nesse "The End" o mesmo fim.



Poema sobre um poema de Carlos Drummond de Andrade.

 

 


Poemeto qual Fruta


São as mulheres
maduras
que fazem-me
cair do pé.

 

 

 

Hai-kais


No bosque florido
Só o gorgeio das aves
e eu haikaiando.



Na lua cheia
Enquanto a coruja pia
a aranha tece a teia.


Já não emana
da vela apagada
a clara chama.



No breu da noite
surge um clarão de repente
Estrela cadente.


Ninguém na calçada
Posso ouvir meus passos
nessa madrugada.



O QUE É HAICAI

Haicai é um poema de origem japonesa, que chegou ao Brasil no início do século 20 e hoje conta com muitos praticantes e estudiosos brasileiros. No Japão, e na maioria dos países do mundo, é conhecido como haiku.

Segundo Harold G. Henderson, em Haiku in English, o haicai clássico japonês obedece a quatro regras:

* Consiste em 17 sílabas japonesas, divididas em três versos de 5, 7 e 5 sílabas
* Contém alguma referência à natureza (diferente da natureza humana)
* Refere-se a um evento particular (ou seja, não é uma generalização)
* Apresenta tal evento como "acontecendo agora", e não no passado.

A beleza dessa minha amiga virtual

é, um hai-kai!!!!

 

Edna Hitomi

                                               

 

A musa da semana:

 

SONIA CASTRO

 

PARABÉNS A ELA - Faz aniversário no dia da mulher!!!

 

Conselho


Acerta
a seta
no coração
da mulher certa

Acerta
a seta
e o amor nela
então desperta

Disserta
a frase certa
no ouvido
da mulher alerta

Então
É coisa certa
Para o amor
ela, estará aberta.

 

 

 


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